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Moto com eixo de transmissão final por cardan, mitos, verdades e manutenção preventiva

janeiro 29, 2021

A transmissão final por eixo cardan utilizada nas motocicletas proporciona um certo conforto, quando comparado ao sistema de corrente, coroa e pinhão. É mais robusto, mas também tem possibilidade de quebrar

O eixo cardan elimina aquele incômodo do sistema tradicional com uso de corrente, em que o usuário tem que regular e lubrificar, além disso a roda traseira sempre fica suja de óleo. Já as desvantagens do sistema cardan ficam por conta do maior custo de reparo na hora da substituição de algumas peças. A transmissão consome mais potência do motor do que o conjunto corrente, coroa e pinhão. 

Há alguns anos escrevi uma matéria sobre cardan, o título era “problema no cardan da moto é quase raro, mas pode acontecer”. 

O cenário mudou um pouco, hoje nas redes sociais “borbulham” casos nos quais proprietários de motocicletas estilo big trail trazem reclamações de defeitos no eixo cardan.  Os relatos dos condutores são mais ou menos assim: “ao pilotar a motocicleta, durante a redução de uma marcha ou nas acelerações aparece um ruído na roda traseira. Nesse momento a motocicleta não traciona mais, é como se estivesse em ponto morto (neutro) ”. 

Apesar das reclamações, acredito que o sistema de cardan é confiável e durável, mas requer cuidados na manutenção e cautela na forma de conduzir a motocicleta. Nosso objetivo é ressaltar a importância da manutenção preventiva. Teoricamente, as inspeções deveriam poupar os donos das motocicletas desses aborrecimentos e desconfortos que são ocasionados por defeitos aparentemente prematuros.

Outra vantagem da manutenção preventiva é ser mais barata que a corretiva. Essas ideias são defendidas pelos fabricantes de motocicletas. Na internet, grande parte das reclamações estão focadas em poucos modelos. 

Bem diferente é a realidade das motos Custom, até porque possuem utilização mais urbana e seus motores são mais mansos.

Apesar do projeto das big trails prever o uso em estradas de terra e lama parece que algumas motocicletas são mais sensíveis a água. O que se vê são sistemas de vedação inoperantes, alguns permitem infiltração. Ao acessar as partes internas do cardan o reparador se depara com uma quantidade de água que entra, mas não tem por onde sair. 

Nesses casos, percebe-se que as juntas articuladas estão muito enferrujadas e não há nenhum sinal de graxa em seus acoplamentos estriados. 

Ficam as perguntas: será que a motocicleta passou por uma revisão preventiva? As articulações foram lubrificadas? A coifa de borracha era nova e estava bem montada?   Não temos as repostas.

Manutenção preventiva

Na rotina de serviços, a manutenção habitual deve contar com a inspeção dos mecanismos do cardan, o objetivo é se antecipar aos possíveis defeitos mecânicos que poderiam ocorrer.  O intervalo de manutenção é definido pelo fabricante da motocicleta. 

Em resumo, a lista de verificações deve contemplar os seguintes pontos:

• Aperto geral dos parafusos;
• Verificação de folgas dos conjuntos;
• Condição das estrias dos acoplamentos;
• Substituições dos elementos vedantes;
• Troca de óleo da caixa satélite;
• Lubrificação de articulações;
• Inspeção da coifa (borracha sanfonada).

Por outro lado, o reparador independente precisa ter acesso às informações contidas nos manuais de serviços dos fabricantes, assim poderá oferecer serviços mais adequados.  Mas em geral essas literaturas são limitadas à rede de oficinas da marca.

Entender a tecnologia dessas motos ajudará melhorar o serviço prestado, isso irá refletir na satisfação dos proprietários das motocicletas e certamente aumentar as vendas, isso é básico no marketing.

Análise de falhas

As falhas observadas nos mecanismos do cardan podem ter origem na falta de manutenção, procedimentos inadequados e em alguns (poucos) casos a forma de conduzir a motocicleta.

Na rota de transmissão de força, a potência do motor chega até a roda traseira por meio de engrenagens, eixos e articulações, finalizando na caixa satélite localizada no cubo da roda. Na caixa satélite um pinhão faz contato direto com uma coroa e assim é transmitido o movimento rotacional do cardan para a roda da motocicleta.

Durante a pilotagem o torque excessivo característico das motocicletas big trail é descarregado na roda. A roda traseira se contrapõe ao eixo cardan quando o pneu trava repentinamente em uma freada ou redução de velocidade.  Essa rotina de funcionamento não é prejudicial ao conjunto, mas a falta de lubrificante e o excesso de folgas no conjunto promovem o rompimento de estrias, quebra de acoplamentos, folga em rolamentos e nos casos mais raros uma torção no eixo.  

Possíveis origens de ruídos no cardan

Antes de iniciar o diagnóstico certifique-se que os itens abaixo estão em ordem:

• Alinhamento do eixo da roda traseira (algumas motos);
• Sistema de freio;
• Aperto dos parafusos que prendem a caixa satélite na balança da motocicleta;
• Condição do pneu traseiro;
• Aperto do eixo da roda traseira (algumas motos);
• Folga nos rolamentos da roda traseira.

Defeitos internos na caixa satélite

As engrenagens são banhadas com um lubrificante específico, elas são movimentadas nas acelerações e reduzidas do motor, por isso estão sujeitas a todos os tipos de desgastes e quebras.

O ruído interno proveniente do desgaste pode ter inúmeras causas, provocadas durante a condução da motocicleta, as engrenagens são submetidas a inúmeros tipos de esforços vindos de várias direções, as dimensões dos dentes das engrenagens são calculadas para suportar cargas limites em seu pé, ou seja, na parte mais próxima ao centro, e em sua extremidade. Esses choques ocorrem em condições normais e anormais de uso, em reduzida de marcha ou até em condições severas de condução e frenagem.

A origem dos desgastes também pode ser relacionada ao lubrificante, aos ajustes de folgas e também à maneira de conduzir a motocicleta.

Diagnóstico dos elementos da transmissão da caixa satélite 

Realize a inspeção na folga entre os dentes das engrenagens e ajuste os calços sempre que substituir um rolamento ou outra peça qualquer. As linhas imaginárias de extensão (foto), traçadas a partir da superfície de encaixe das engrenagens, deverão se encontrar no ponto de intersecção (cruzamento). Inspecione a folga entre os dentes das engrenagens, o óleo drenado e vazamentos. Confira cada componente individualmente. 

Possíveis causas de defeitos no conjunto:

• Nível do óleo baixo;
• Óleo não-especificado;
• Rolamentos internos da caixa satélite gastos;
• Engrenagens gastas;
• Flange do cubo da roda danificado ou solto;
• Pinhão desgastado ou entalhes do acoplamento gastos;
• Folga excessiva entre pinhão e coroa;
• Ajustes dos calços inadequados.

Como interpretar os desgastes dos dentes das engrenagens da caixa satélite

Observe a marcação feita no dente da engrenagem, para os casos em que a linha de desgaste se encontra próxima à ponta do dente da engrenagem, há indícios de que o conjunto está trabalhando com folga excessiva entre a coroa (engrenagem cônica) e o pinhão. Já quando a linha está concentrada próxima ao pé do dente da engrenagem, entende-se que a causa seria folga insuficiente entre a coroa (engrenagem cônica) e o pinhão. 

Casos típicos de desgastes nos dentes das engrenagens são melhor observados com o auxílio de uma lupa (lente de aumento). 

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